Descrição
Nem mesmo os olhos mais atentos, treinados para perscrutar cada sombra e cada movimento suspeito, seriam capazes de desvendar o enigma que é Arsène Lupin. Sua habilidade de se camuflar é tão absoluta que ele se torna um espelho da multidão, adotando feições, gestos e vozes com uma perfeição assombrosa. No fim, não há testemunha que consiga descrever com precisão a verdadeira forma de seu rosto, pois ele é, ao mesmo tempo, todos e ninguém.
Sabe-se apenas que seu nome ecoa como um sussurro nos corredores do poder e que sua mente, afiada e enciclopédica, funciona como uma engrenagem de relógio suíço – cada passo é calculado, cada detalhe, por menor que seja, é cuidadosamente orquestrado. Ele surge e desaparece como um espectro, atravessando portas trancadas e cofres inquebráveis com a desenvoltura de um convidado ilustre, deixando para trás apenas um cartão de visita e o espanto de seus perseguidores.
Seus olhos, porém, se voltam com predileção para os magnatas e herdeiros que expõem suas fortunas com arrogância, transformando o luxo em um chamariz irresistível. Mas a ironia mais refinada de Lupin reside em seu jogo de gato e rato: muitas vezes, ele está ali, bem debaixo do nariz de seus algozes, disfarçado de detetive ou de conselheiro, e chega a conduzir as investigações contra si mesmo com uma cortesia desconcertante. Ele é um sujeito único, uma anomalia no submundo do crime – um ladrão que rouba com elegância, que devolve com ironia e que trata suas vítimas e perseguidores com a mesma educação impecável. Arsène Lupin não é apenas um fora da lei; ele é um cavalheiro da noite, um artista do impossível cujo maior golpe é nos fazer duvidar de onde termina o mito e começa o homem.






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